O explosivo jogo de ação da Pandemic está de volta, agora ambientado em uma Venezuela dominada por conflitos entre o ditador local e outras facções que desejam o poder e claro, os dólares e o petróleo que o acompanham. Em meio ao conflito, está você, um mercenário experiente, com uma grande contagem de corpos e a capacidade de provocar muitos danos colaterais. Seu interesse primordial é vingar-se do ditador venezuelano por uma razão simples: o homem o contratou e não pagou pelo serviço. E isso não pode ficar assim.
Logo no começo, você assume o controle de um dos três mercenários disponíveis desde o princípio: Mathias, Chris e Jennifer. As diferenças entre eles são poucas. Um é mais resistente, outro mais rápido, e outro é equilibrado. Em termos de história, a escolha gera algumas cutscenes curtinhas diferentes mas nada que altere o enredo. Alías, vale uma ressalva: embora a história seja tão profunda quanto um filme do Rambo ou do governador da Califórnia e a Pandemic tenha desperdiçado a oportunidade de elaborar diálogos mais engraçados, é preciso ter em mente que o enredo de World in Flames é uma desculpa para a ação e principalmente, para a destruição.
Nas primeiras missões, você terá a impressão de que Mercenaries 2 é um jogo de guerra e bem fraco quando comparado com medalhões do gênero, como Call of Duty ou mesmo o recente Battlefield: Bad Company. Mas em pouco tempo você terá estabelecido sua base na Venezuela e o game muda totalmente para um autêntico mundo aberto cercado de pólvora, petróleo e conflitos por todos os lados. Há diversas facções, cada uma ocupando parte do território e em luta com as outras. Quando seu mercenário faz negócios com eles, pode utilizar os quartéis desses grupos e até alugar serviços como helicópteros e bombardeios aéreos. Claro que, ao realizar os objetivos de uma facção, invariavelmente você vai se tornar inimigo de outra. Manter o equilíbrio de interesses e cumprir as missões é uma das partes mais interessantes em Mercenaries 2. A forma como a economia do jogo gira em torno de combustível, dinheiro e a amizade das facções venezuelanas dão um toque de estratégia ao mata-mata desenfreado.
Ao vagar pelas selvas, montanhas, mares e cidades do jogo é preciso admitir que visualmente, Mercenaries 2 poderia ser melhor executado. Alguns bugs gráficos poderiam ser evitados, assim como um maior cuidado com a física dos objetos: é possível chutar longe tanto caixotes de madeira quanto os destroços enormes de um palácio recém-derrubado. Por outro lado, o jogo conta com belos efeitos de iluminação, uma dublagem divertida e bem feita dos três protagonistas e se o visual parece pouco trabalhado quando tudo está intacto, comece a lançar mísseis, granadas ou disparar de seu tanque ou helicóptero para ver como as coisas caem, quebram, explodem e queimam de maneira impressionante. O fogo se alastra, os objetos colidem entre si, tornando a brincadeira muito mais divertida. É durante o caos e a destruição que World in Flames faz jus ao nome.
Durante o combate, algumas escolhas dos desenvolvedores tornam as partidas desbalanceadas: a “coronhada” com um rifle é capaz de abater instantaneamente os adversários, o que torna mais fácil correr até eles e acertar um único golpe do que ficar tentando acertar os tiros. Por outro lado, a mira não é muito exigente e é fácil acertar os alvos – e ser atingido pelos projéteis dos inimigos, também. World in Flames não tem algumas das características dos jogos de tiro e ação mais atuais, como a possibilidade de utilizar cobertura. Ainda assim, os combates, principalmente em grande escala, empolgam e divertem bastante. Jogar Mercenaries 2 em modo multiplayer também é uma boa opção e torna a aventura um pouco mais fácil. Na verdade, a impressão que se tem é que o jogo é escalonado para dois participantes mesmo no modo single player. Jogando com um amigo, a dificuldade diminui mas você tem alguém para testemunhar a arruaça e a destruição, o que torna as coisas mais divertidas e gratificantes.

Como se pode esperar de um mundo aberto, em Mercenaries 2 é possível fazer muitas coisas, ir a praticamente todos os lugares que você consegue ver no jogo e roubar e dirigir diversos veículos, de motos e caminhões, até helicópteros e caças, passando por barcos e tanques. Há diversos itens colecionáveis e para pegar alguns é preciso resgatá-los pendurando-os a um helicóptero. As missões em geral envolvem proteger ou destruir alguma coisa, mas há algumas originais, dentre as quais cito aquela que envolve o veículo chamado “Devastator”. Há corridas e desafios no quartel-general dos mercenários, para variar um pouco. Temos também uma série de pessoas que devem ser capturadas vivas ou mortas e dependendo da situação, o pagamento é reduzido ou aumentado. E claro, temos as missões de vingança, que são as principais e pelas quais não se ganha nem um centavo: afinal, é para acertar as contas com um ditadorzinho que você e seus colegas estão na Venezuela. Mas já que vão ficar por ali um tempo, porque não faturar uma grana e se divertir explodindo coisas?