A onda dos jogos casuais pode ter começado com o portátil DS e se consolidado após o sucesso do Wii mas não é de forma alguma limitada ás plataformas da Nintendo. Hoje, todos os produtores procuram atingir um público mais amplo em todos os consoles.
Foi pensando nisso que a Electronic Arts criou o selo EA Freestyle, uma variação da tradicional EA Sports, que desenvolverá jogos esportivos simplificados para a diversão familiar. Ao menos essa era a idéia, porque se depender do seu primeiro lançamento, a empresa deveria rever a sua proposta. Facebreaker, o jogo de boxe com visual cartunesco da Electronic Arts apresenta uma dificuldade elevada demais para um game casual e uma simplicidade de comandos que afastará também os jogadores hardcore.
Visualmente, Facebreaker lembra os games mais recentes da linha Street da EA. Os personagens são caricatos, com movimentos exagerados e bem carismáticos. São doze lutadores e é possível criar outros, baseando-se nos estilos de luta existentes. Aliás, a ferramenta de criação de Facebreaker é a melhor parte do jogo. Você pode copiar uma foto sua para o console e criar uma caricatura dela que servirá de base para o seu próprio lutador. Ou pode usar algum dos modelos já existentes, entre eles o próprio Peter Moore, chefão da EA Sports (e ex-Microsoft e Sega of America). Também pode compartilhar seus lutadores com os amigos através da Live ou PSN. É muito legal construir os personagens e também lutar com eles, principalmente pelas animações de boa qualidade e a deformação facial que dá nome ao jogo.

Porém, quando a luta têm início, Facebreaker revela suas falhas: nos modos single-player, o jogo é de uma dificuldade muito maior do que se espera para o gênero “casual”. Os adversários possuem reflexos sobre-humanos e a mecânica de esquiva e bloqueio, típica de um jogo de boxe se volta contra o jogador quando o oponente executa esses movimentos com muito mais precisão do que você. No modo carreira, em cada uma das arenas há três continues e o avanço é separado para cada personagem. Ou seja, se você já lutou até a terceira arena com Romeo, o sedutor espanhol, ao começar a jogar com o assustador Vodoo, terá que iniciar o jogo desde a primeira luta. Ao menos não é necessário vencer os oponentes para libera-los na tela de seleção: basta participar de determinadas quantidades de lutas.

Jogando contra um adversário humano, seja no mesmo console ou online, Facebreaker se torna mais divertido, afinal, o oponente luta na mesma velocidade que você e o desafio não é frustrante. O que incomoda é a simplicidade: soco alto, soco baixo, uppercut e agarrão e mais algumas combinações fáceis e que nem sempre funcionam como deveriam. A falta de profundidade acaba tornando o jogo pouco interessante, uma vez que embora os golpes de cada lutador sejam diferentes, a sua execução é idêntica.
Facebreaker é um jogo com um foco mal definido. Poderia ser agradável como um game de boxe simplificado, se sua dificuldade não fosse tão exagerada. Porém a EA Freestyle confundiu desafio com dificuldade e produziu um jogo que não é atraente nem para o público que busca apenas diversão nem para os fãs hardcore de jogos de luta.