Eu sempre gostei de jogos de direção, tanto os simuladores quanto os voltados para uma diversão mais direta e descompromissada. Porém nunca me entusiasmei por corridas de ATV, os famigerados quadriciclos. Nas poucas vezes que me arrisquei a jogar algum, achei chato e sem graça, principalmente diante da proposta de pilotar um veículo em circuitos off-road, um verdadeiro esporte radical sobre rodas, mas que na prática nunca se concretizava.
Por isso, por maiores que fossem as expectativas em relação à Pure ou mesmo o entusiasmo de seu produtor, Jason Avent ao falar sobre a sua criação, eu ainda estava receoso de pegar o jogo e não gostar. Até mais receoso do que o usual, pois quanto maior a expectativa, maior poderia ser minha decepção.
Depois de algumas voltas nos primeiros circuitos de Pure, minha preocupação caiu por terra, um tombo espetacular como as manobras insanas deste excitante e divertidíssimo jogo de corrida em quadriciclos. Pure consegue captar a essência do esporte radical e transportar isso de forma exagerada para os videogames.
Beleza radicalO jogo é de encher os olhos desde as telas iniciais, apresentação primorosa e principalmente, com suas pistas detalhadas, saltos absurdos e terreno persistente, ou seja, que mantém as deformações causadas pela passagem dos veículos, Pure é de um primor gráfico excepcional. Os veículos são bem feitos, os pilotos se movem de maneira natural e tem reações emocionais, além dos movimentos das manobras, ficando de pé no ATV e “tirando sarro” quando ultrapassam os concorrentes, por exemplo. Tudo isso rodando macio durante as provas, sem quedas na taxa de quadros ou slowdown. A trilha sonora, composta de rock atual, sustenta bem o ritmo vertiginoso das corridas e mantém a empolgação elevada dos jogadores.
Tão importante quanto cruzar a linha de chegada em primeiro, é realizar manobras radicais que humilhem os adversários e com isso ganhar nitro e liberar novas manobras ainda mais insanas. Para dificultar a vida dos jogadores, as manobras ganham pontuações a cada salto. Repetir a mesma manobra dá menos pontos de Boost e realizar uma nova rende uma pontuação maior. Para realizar as acrobacias, basta pegar impulso antes de um salto e quando estiver no ar apertar os botões corretos em conjunto com o direcional. Simples mas exige timing e atenção para evitar um tombo tão cinematográfico quanto às próprias manobras.
Os produtores de Pure prometeram uma customização sem precedentes para os ATVs do jogo. De fato, o modo de edição permite criar quadriciclos bastante originais, ainda que leve algum tempo até liberar uma boa quantidade de peças. Você constrói seu veículo completamente, escolhendo as peças uma a uma: motor, carenagem, amortecedores, rodas e assim por diante. Cada peça influencia nas características do ATV, como velocidade, aceleração ou controle. É possível escolher entre criar o quadriciclo para a modalidade free-style, orientado para manobras ou Racing, onde o foco é na velocidade e controle do veículo.
Para liberar espaço para novos ATV, novas peças e pistas, você deve percorrer o modo Worldwide, escolhendo inclusive um piloto entre os seis disponíveis, cada um com duas opções de roupas. Para completar a customização, você pode escolher o modelo do capacete e criar seu primeiro quadriciclo, inclusive dando um nome a ele. No Worldwide há três tipos de prova: Sprint, Race e Free-style. Nas duas primeiras, corridas tradicionais com algumas rampas (mais na segunda do que na primeira modalidade) para realizar acrobacias. Na modalidade Free-Style é onde o estilo de Pure fala mais alto. Não há linha de chegada e sim um limite de tempo, dentro do qual os corredores competem pela maior pontuação em manobras radicais.
É possível correr contra o tempo no modo Trial ou selecionar um evento específico em Single Event, para praticar o circuito, por exemplo. O foco do single-player de Pure é realmente o modo Worldwide, e ele é relativamente curto. Jogadores mais dedicados podem terminar em uma dúzia de horas, enquanto os mais inexperientes terão algum desafio antes de atingir a última linha de chegada de Pure. Pouco,quando comparado com as demais opções em jogos de direção atualmente disponíveis.
O que manterá seus dedos presos ao controle e o disco de Pure na bandeja do seu console é o modo multi-jogador. Com corridas para até 16 participantes, o jogo se torna muito mais emocionante. Você compete tanto para realizar manobras mais bacanas do que as de seus oponentes quanto, claro, para ganhar a corrida nas mesmas três modalidades disponíveis no single player, e em um modo adicional, chamado Freeride.
Nesse modo, os participantes competem pela maior pontuação em cada trecho das provas e os pontos podem ser conseguidos tanto com velocidade quanto pela realização de manobras. Assim, ganha quem dominar um estilo de jogo e conhecer o traçado das 12 pistas. Embora o número seja pequeno, cada pista oferece uma boa variedade de atalhos e leva algum tempo para conhecer o traçado de todas elas. E vale ressaltar, todas elas são de encher os olhos.
A Disney Interactive e o Black Rock Studio conseguiram entregar um jogo com estilo próprio, identidade visual marcante e capaz de entreter por um bom tempo, principalmente pelos controles fáceis de assimilar – mas que exigem atenção para dominar – e com certeza um dos melhores do ano. Se você procura velocidade e diversão em um jogo de corrida, coloque o capacete e vá de Pure, sem medo.