Um mundo aberto e selvagem, gráficos e efeitos de luz e partículas que enchem os olhos e um sistema de combate e dano eficiente, capaz de proporcionar um tiroteio intenso. As semelhanças entre Far Cry 2 e o título original se encerram aí.
Desenvolvido pela Ubisoft Montreal e não pela Crytec, Far Cry 2 não dá continuidade a história do primeiro jogo, não há sequer referências ao protagonista Jack Carver. Aqui você escolhe um mercenário (entre os disponíveis temos o brasileiro Marty Alencar, um paulistano, vejam só) e recebe uma missão: eliminar o Jackall, um negociante de armas que está ganhando muito dinheiro com uma guerra civil no meio da África. Não que essa seja uma tarefa fácil.
Bem vindo à selva!
Far Cry 2 é ambientado numa região com cerca de 50 km² em um país africano em guerra. Com vegetação exuberante e ruas empoeiradas, carros velhos e pessoas abandonando tudo por causa do conflito, é ao mesmo tempo um cenário lindo e perturbador, retratando uma dimensão da guerra que não vemos em muitos games. O mundo aberto permite que você vá para qualquer lugar, a pé ou em veículos como carros e jipes militares. Salvo um ou outro bug ocasional e objetos que aparecem do nada, é tudo muito bem feito e impressionante, principalmente pela quase completa ausência de loadings.
O protagonista é um mercenário moderno e conta com várias ferramentas que o ajudam na hora de se deslocar pelo campo e receber missões das diversas facções em conflito: um mapa, um GPS e um celular são seus companheiros inseparáveis. Além deles, você pode carregar mais quatro armas e alguns itens curativos. A aplicação dos curativos, por sinal, é bem legal, com o corte do braço com um estilete, tudo mostrado em primeira pessoa. Aliás, uma coisa que os fãs do gênero vão gostar é que praticamente todas as ações do personagem são visíveis: quando você abre o mapa e o GPS, as mãos do nosso herói fazem isso, você vê o resto do cenário atrás do mapa. Não é outra tela. Da mesma forma, quando atende ao celular, ele leva o aparelho até o ouvido, não surge um celular no canto da tela de frente para você. São elementos que acrescentam realismo ao jogo, aumentando a imersão mas que podem incomodar os guerrilheiros de primeira viagem.
Outra inovação da qual gostei muito em Far Cry 2 é num dos quesitos mais importantes em um First Person Shooter: as armas. No calor do combate é normal que sua munição acabe e você fique sem opção além de descartar a arma que tem em mãos e pegar o fuzil de um inimigo caído. Até aí, prática comum em jogos do gênero. Mas em um país tropical, quente, úmido e com a economia em frangalhos, nem tudo se encontra no melhor estado de conservação. Algumas armas usadas adquiridas dessa forma apresentam defeitos, travam e até mesmo quebram. A tensão dos tiroteios aumenta muito com a introdução desse elemento.
O que é isso, companheiro?
Uma guerrilha como a apresentada em Far Cry 2 possui várias frentes de combate, facções que disputam o poder ou apenas lutam pela sobrevivência. É o tipo de lugar ideal para um mercenário fazer uma grana extra. Além da sua missão principal, durante o jogo você terá várias missões paralelas que envolvem desde eliminar bases inimigas até resgatar pessoas importantes. Algumas dessas pessoas se tornam os seus "Buddies" ou "companheiros" em bom português. Em contato com eles você pode conseguir algumas vantagens como o upgrade nos seus esconderijos, armas melhores e claro, mais missões.Os Buddies também oferecem métodos alternativos para completar algumas das missões principais.
Algo que os entusiastas do gênero podem estranhar são as longas viagens pelo mapa para cumprir alguma missão. Percorrer grandes distâncias até a próxima "quest" é algo normal em RPGs e jogos online mas em um game de tiro soa um tanto quanto fora de lugar. O problema é que passar um bom tempo pilotando veículos não muito rápidos e sempre com a visão em primeira pessoa é cansativo. Outros games do gênero optam por uma visão em terceira pessoa, de trás do veículo, nessas horas, mas a Ubisoft Montreal preferiu manter o ângulo de câmera constante. Opção pelo realismo que, nesse caso, não teve um resultado agradável.
Um outro detalhe que denigre a versão para console de Far Cry 2 é o sistema de save points. Tanto no Xbox 360 quanto na versão para PlayStation 3 só é possível salvar o jogo em pontos pre-determinados. Os jogadores de Far Cry 2 no PC podem salvar o game a qualquer momento, em qualquer lugar.
Guerrilha multiplayer
No modo multi-jogador, Far Cry 2 possui os modos de jogo tradicionais, como death match, team death match e "capture a bandeira". Também há novos tipos de jogo, como um que combina elementos de controle de território com VIP, no qual é preciso eliminar um jogador específico. Jogando nesse modo você é recompensado com diamantes que usa para desbloquear novos armamentos mais poderosos.
O destaque do multiplayer é o editor de mapas, presente nos consoles e no PC. Requer um tempo de aprendizagem, mas permite criar mapas de jogo com relativa facilidade. É possível publicar, compartilhar, baixar e usar mapas criados por outros jogadores nas partidas multiplayer.
Missão cumprida!
A Ubisoft Montreal produziu um jogo de tiro bonito, com elementos que inovam um gênero saturado. Com mecânicas de combate sólidas e um vasto cenário para explorar e um editor de mapas que pode render muitas horas em partidas multiplayer, Far Cry 2 é compra certa para os fãs de FPS em busca de algo além do usual massacre de alienigenas.