Há quem diga que o horror de sobrevivência, gênero dos mais populares entre os fãs de videogames, não é mais o mesmo. Desgastado com a repetição excessiva de suas principais franquias ao ponto dos lançamentos mais recentes de séries famosas estarem mais para jogos de ação ou tiro com zumbis do que "survival horror" propriamente dito.
Num mercado tão competitivo como o de jogos eletrônicos, investir em uma novidade é algo arriscado e muitas produtoras se apegam aos sucessos do passado. Porém de tempos em tempos surgem novos jogos que não são simples cópias do que deu certo, mas trazem em si conceitos reciclados e aprimorados e o principal: a inovação e o frescor necessário para erguer até mesmo o morto-vivo "survival horror" de volta ao topo das preferências gamisticas. Estamos falando de Dead Space, a mais nova criação da Electronic Arts.
No espaço ninguém vai ouvir você gritar
Dead Space é ambientado num futuro distante, no qual a raça humana exauriu todos os recursos da Terra e partiu para explorar o espaço em busca de minérios e fontes de energia, literalmente partindo planetas ao meio para extrair suas riquezas. Uma grande frota de naves mineradoras vaga pela galáxia nessa tarefa. E uma delas, a USG Ishimura, teve sua comunicação com as demais naves cortada misteriosamente.
Você controla Isaac Clarke, um engenheiro enviado à Ishimura como parte da pequena equipe de reparos para o que parece ser uma simples missão de rotina. Ao chegar na nave, você rapidamente descobre que não será nada simples arrumar os problemas de comunicação. De fato, com a tripulação morta, a nave completamente danificada e infestada de aliens assassinos chamados Necromorphs, a falta de comunicação é o menor dos seus problemas. E para completar o quadro desesperador, sua equipe se separa e o transporte no qual vocês chegaram é destruído. A única forma de sair dali é colocar a USG Ishimura para funcionar.
A ferramenta certa para o trabalho
O fato de Isaac ser um engenheiro e não um soldado é elemento essencial na construção da atmosfera assustadora do jogo. Acompanhando o avanço de Isaac com a câmera por sobre seu ombro, a lá Resident Evil 4, com a completa ausência de HUDs (mostradores de energia ou munição na tela, por exemplo) a sensação é a de estar assistindo um filme. Ou melhor, jogando um filme. Vestido com um traje que confere alguma proteção e equipado com uma "rebitadeira" futurista, Isaac explora os vários andares da Ishimura, tentando alcançar sua equipe e reparar os motores, computadores e sistemas de bordo enquanto luta contra os aliens morto-vivos que brotam das sombras e de dutos de ar.
No decorrer do jogo você pode melhorar os equipamentos de Isaac e equipa-lo com armas mais apropriadas como o "pulse rifle", única arma de verdade em todo o jogo, e um lança-chamas - na verdade um maçarico. Porém a munição é bastante limitada então sair atirando a esmo nunca é uma boa idéia. Mais importante é mirar bem os disparos para desmembrar os alienigenas, única forma de parar seu avanço. Os combates contra os Necromorphs são um dos pontos altos de Dead Space: as criaturas correm para cima de você, as vezes em grupos de 03 ou mais e por todos os lados. Um descuido e Isaac está no chão, se engalfinhando com os monstruosos oponentes e você apertando botões desesperadamente, com o coração disparado.
Para tornar a vida um pouco menos sofrida, Isaac conta com dois equipamentos especiais: um é o Statis, que permite retardar a velocidade de um alvo e o outro mover objetos pesados, como se fosse uma espécie de telecinese. Além de úteis em combate, são fundamentais na resolução dos diversos puzzles presentes pelas 12 fases de Dead Space. Os puzzles de Dead Space envolvem momentos de bastante tensão, pois alguns acontecem do lado de fora da nave, aonde não há oxigênio além do pouco que você carrega no traje de Isaac. Outros envolvem ambientes sem gravidade, uma idéia fantástica que desafia sua percepção espacial conforme você salta pelas superfícies da Ishimura.
Não há pausa para o terror
Na criação de Dead Space a Electronic Arts aproveitou conceitos excelentes de outros jogos, como Bioshock, Doom e Resident Evil. Isso não é ruim, pois faz uso dos elementos que fizeram o sucesso desses clássicos com maestria.. Porém, como você já deve ter notado, há várias inovações que merecem destaque.
Além da ausência de gravidade em algumas áreas do game, outra coisa que chama a atenção pela ausência são os HUD, aquelas barras de energia, "vida", munição, tempo e outras que nos lembram que estamos diante de um videogame. Os mostradores de energia, de carga de Stasis e de oxigênio ficam nas costas do traje. A munição pode ser vista na arma. Isso amplia e muito a imersão do jogador na história, pois não há elementos que o distraiam.
Outro ponto que torna a experiência de Dead Space tão satisfatória é o sistema de menus. São telas "holográficas" projetadas do capacete de Isaac. Por ali você acessa mapas, objetivos e seu inventário. Um único detalhe: o jogo não para enquanto você faz isso. Se há um Necromorph vindo te pegar e você está sem munição, parar para trocar de arma pode ser uma péssima idéia. A tensão que isso causa no jogador torna a atmosfera de Dead Space ainda mais assustadora.
De uma forma geral, Dead Space é um jogo bastante linear, com pouco espaço para exploração além do necessário para cumprir os objetivos de Isaac. Sua trama é excepcional e vai sendo revelada aos poucos, conforme você avança pela USG Ishimura. Jogar suas 12 fases é uma excelente experiência, como poucas vezes vistas nesse ano. Não é a toa que a Electronic Arts já produziu uma série de animação e anunciou futuras sequências para o jogo. Recomendadíssimo a todos os fãs do gênero survival horror.