Após dois títulos com o nome “Silent Hill” no mundo dos portáteis, Silent Hill Origins é o terceiro game da série, e o primeiro a apresentar uma história original e “jogável” (Play Novel Silent Hill do Game Boy Advance era uma versão reduzida do primeiro game para PlayStation e Silent Hill Experience nada mais é que a graphic novel da IDW Publishing em forma digital para você curtir no PSP) e também é o primeiro a ser produzido fora do Japão (a produção ficou a cargo da Climax, responsável por Ghost Rider).
Em termos de roteiro, SHO continua com os mesmos pontos altos e baixos da série mantendo nossa atenção presa sem grandes esforços. O encontro com a Alessa Gillespie ao decorrer do game é uma experiência de outro mundo assim como todo o restante.
O geral gráfico também está muito acima da média dos jogos de PSP, os cenários são simplesmente magníficos e desesperadores como em Silent Hill 3 e a movimentação dos personagens bem fluente se comparado ao Silent Hill 2. Aos que achavam GTA VCS uma obra-prima num handheld, Silent Hill consegue superar o game da Rockstar sem muito esforço.
A trilha sonora não decepciona, mas poderia ser melhor trabalhada - não que o vocal da Mary Elizabeth McGlynn tenha sido desperdiçada, mas eu esperava mais. Agora, a BGM me parece muito “padrão” e comum a outros games do gênero – mesmo sendo do Akira Yamaoka, responsável pelas excelentes trilhas sonoras de todos os Silent Hill.
Os controles são bons e respondem rápido – algo realmente imporante neste tipo de jogo – e realmente me impressiou já que estamos falando de um portátil. A disposição de botões é a praticamente a mesma dos outros títulos da série e favorece aos velhos jogadores.
Em termos de inovação não consigo citar nada que seja relevante, mas o fato das armas quebrarem muito fácilmente me irrita um pouco. Como fã da série eu achei que este game perdeu um pouco do seu estilo original – os puzzles são mais fáceis de serem resolvidos (quem tentou resolver os puzzles sobre Shakespeare em Silent Hill 3 sem ajuda sabe o quero dizer com um puzzle difícil). O design dos personagens também me pareceu um tanto pobre, ainda mais se comparado aos personagens saídos de Silent Hill 4 onde cada indivíduo parece ser extremamente único tamanha é a quantidade de detalhes nas vestimentas e texturas de pele – obviamente estou sendo exigente demais, afinal, o PSP é um console portátil e ainda não tem tantos anos de vida como o PlayStation2 e o Xbox tinham na época do lançamento do The Room.
Em alguns momentos SHO me lembra o filme dirigido Christophe Gans em que tudo parece ter sido feito de fã para fã e que infelizmente não alcança o brilho do original mas que de forma alguma deixa de ser um trabalho muito bom. Julgar o game pelo simples fato de ter saído do controle direto da Konami não é correto e a Climax demonstrou total competência no projeto.
O game não traz tantos finais diferentes como em Silent Hill 2 Restless Dreams, mas existe uma quantidade considerável de extras a serem destravados que prolonga a vida do game (o que já não é novidade na série. Definitivamente vale a compra se você gostar de horror survivors ou ação, e mais ainda se você for fã da série. Resta agora esperar pelo Silent Hill 5 no PlayStation 3 e no Xbox360 (e a quem interessar, o filme Silent Hill 2 previsto para estrear em 2008 nos EUA).