Apenas mais um RPG para 360?
Ok, a notícia do dia é o anuncio de Kingdom Under Fire II para PC,Xbox 360 e PS3. Tal notinha não seria tão chocante se a última versão da franquia não estivesse tão fresca nas prateleiras. Conforme anunciamos na semana passada, a Microsoft brasileira lançou Kingdom Under Fire: Circle of Doom para o Xbox 360 nacional. “Circle” é a última atualização da franquia de RPGs e mostra muitas virtudes, mas algumas falhas indesejáveis. E é exatamente por isso que dividimos a nossa análise em duas partes. Veja agora o que deu certo e o que deu errado.
Luz e trevas em combate...de novo
Ta bom. Pode falar que o tema está batido. Também concordamos. Acontece que a forma como este embate foi colocado até é aceitável aqui. A Terra foi criada por Nibble, o Senhor da Luz e por Encablosa, Senhor das Trevas. De tempos em tempos, o governo do mundo era alternado entre luz e trevas e as pessoas sofriam constantemente enquanto aguardavam a chegada de tempos melhores. Foi então que Nibble, o bom samaritano, resolveu se rebelar contra os malefícios causados durante os períodos de destruição de Encablosa, declarando guerra ao Coisa-ruim. O malvadão ficou irritado, e então enviou seu exército de monstros para acabar de uma vez por todas com o planeta. Quando tudo parecia perdido, seis heróis surgiram das trevas para resolver a situação – Kendal, o cavaleiro, Regnier, o enigmático, o guerreiro Curian e sua amada elfa, Celine. Além deles, o narcisista Duane e o vampiro Leinhart também declararam guerra ao tirano.
Vai um inimigo gigantesco aí? Esse e mais alguns o esperam de braços
abertos em Kingdom Under Fire: Circle of Doom para Xbox 360
O que deu certo
O Xbox 360 ainda está carente do RPG definitivo. E Mass Effect é um título muito ocidental para cair no gosto dos fãs de títulos japoneses. O que vemos em King dom Under Fire, à primeira vista, é um misto de O Senhor dos Anéis com cenários de The Legend of Zelda. A mistura não foi ruim, e criou uma alma raramente vista em jogos da nova geração. Graficamente, o jogo convence. Os personagens não são impecáveis e foto realísticos, e talvez nem seja esta a intenção da Blue Side, criadora do jogo. As animações são bacanas e os personagens, apesar de não se tratarem de os mais criativos do gênero, ao menos cumprem bem o seu papel na fantasia medieval. Os cenários são belíssimos e transmitem uma verdadeira viagem ao mundo dos sonhos, com flores, matagais, cachoeiras e céus apocalípticos.
Os cenários, aliás, são criados aleatoriamente, em tempo real, mas isto não quer dizer que você nunca mais verá o cenário anterior caso resolva voltar à rota. Eles são gerados a cada jogo, mas eles se manterão intactos para os casos de retorno no mesmo trecho. A música é sensacional. Composições alegres e tranqüilas acompanham seu passeio pelos vastos bosques e jardins. E em instantes, a composição zen dá espaço a batucadas e trilhas agitadas, que antecipam a chegada de inimigos. E quando você ouvir uma composição diferente da habitual, se prepare: hordas de monstros estão a caminho. A música agitada não existe por acaso. A ação do jogo é frenética, ao contrário de outros RPGs, como Lost Odysssey. Aqui, as belas animações, a combinação de ataques por menus e o apelo cinematográfico saem para ceder espaço para o apertar frenético de um bom e velho Hack n’ Slash. Mais “O Senhor dos Anéis”, é impossível. O sistema de pontos de experiência e diferentes níveis funcionam bem. Cada personagem pode utilizar duas armas, acionadas pelos botões A e X. Conforme se avança no jogo, mais pontos podem ser alocados para os atributos de HP,SP e Luck (sorte).
Curian é um cara problemático.
Seu passatempo é rasgar plantas carnívoras mutantes
Outro ponto interessante de Circle of Doom é a possibilidade de descansar e sonhar. Nestes sonhos, o jogador entrará em contato com diversas pessoas, como Moonlight e o Rei Valdemar, o pai do vampiro Leinhart. Ao sonhar, o personagem pode coletar informações importantes sobre seus novos objetivos, além de descansar para as próximas jornadas. Estes cochilos são feitos somente nos locais seguros, que são protegidos pelos ídolos e servem para salvar o seu progresso no jogo. Outra funcionalidade dos ídolos é a sintetização de armas. Com este atributo, os ídolos podem fazer de sua faca uma poderosa e letal espada. Para isto, você deve misturar sua arma com outros itens. Esta função depende da utilização de itens específicos, e somente poderá ser utilizada entre os itens exatos indicados pelos ídolos.
O que deu errado?
Infelizmente, nem tudo é virtude no sistema de Circle of Doom. Os gráficos são bonitinhos e os cenários fabulosos, mas quando a ação esquenta, adivinhe. O slowdown teima em aparecer. Além disso, outra grande mancada acontece na hora da batalha. A câmera cumpre bem o seu papel de maldita e te atrapalha o suficiente até você sequer enxergar onde estão seus inimigos. A coisa complica ainda mais quando o ângulo da câmera trava em cenas lotadas de árvores. Você poderá contemplar quantas folhas cada galho possui, mas não verá os ataques pelas costas que está levando de seus inimigos. Estes dois defeitos atrapalham, mas a grande falha nas cenas de ação é a repetição constante de batalhas contra inimigos parecidos. No começo diverte, mas com o tempo, se torna enjoativo. E bota enjoativo nisso.
Veredicto:
Pela quantidade de linhas utilizadas entre os pontos positivos e negativos, é fácil notar que o jogo tem muito mais virtudes do que defeitos. E de fato, King dom Under Fire :Circle of Doom é um bom RPG dotado de muitas virtudes, mas alguns erros graves. É mais um bom RPG, mas não espere deste o título definitivo do gênero.